Hoje, dia 21 de fevereiro, é o DIA
INTERNACIONAL DA LÍNGUA MATERNA.
Esta
efeméride foi proclamada pela Organização das Nações Unidas para
a Educação, a Ciência e a Cultura - UNESCO
em 1999, e esta iniciativa pretende proteger todas as línguas
faladas no Mundo.
A
nossa língua é o Português (cf. artigo 11º, n.º 3 da
Constituição da República Portuguesa), falada por mais de 270
milhões de seres humanos dos nove (9) países que integram a
Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP): ANGOLA,
BRASIL, CABO VERDE, GUINÉ, GUINÉ-EQUATORIAL, MOÇAMBIQUE, PORTUGAL,
SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE, TIMOR-LESTE.
Importa
aqui se transcrever, como se transcrevem, as Mensagens de Irina
Bokova, diretora-geral da UNESCO, de Michaëlle
Jean,
Secretária-Geral da Francofonia (OIF),
de Rebeca
Grynspan,
Secretária Geral Iberoamericana (SEGIB)
e de Maria
do Carmo Silveira,
Secretária Executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
(CPLP),
por ocasião deste dia, respetivamente:
Na
ocasião do Dia Internacional da Língua Materna, a UNESCO reafirma
seu compromisso sincero com a diversidade linguística e o
multilinguismo. As línguas expressam que nós somos, elas estruturam
nossos pensamentos e nossas identidades. Não pode existir diálogo
autêntico ou cooperação internacional efetiva sem o respeito pela
diversidade linguística, que oferece uma compreensão verdadeira de
cada cultura. O acesso à diversidade das línguas pode despertar a
curiosidade e o entendimento mútuo entre os povos. É por isso que
aprender línguas é ao mesmo tempo uma promessa de paz, inovação e
criatividade.
O
Dia Internacional da Língua Materna, que este ano é dedicado à
educação multilíngue, também é uma oportunidade de mobilização
para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em especial o ODS
4, de garantir uma educação inclusiva e de qualidade para todos e
promover a aprendizagem ao longo da vida. Educação e informação
na língua materna são absolutamente essenciais para aperfeiçoar a
aprendizagem e desenvolver a confiança e a autoestima, que estão
entre as forças mais poderosas do desenvolvimento.
A
língua está na nossa essência humana. Culturas, ideias,
sentimentos e até mesmo desejos por um mundo melhor chegam até nós,
em primeiro lugar e sobretudo, em uma língua específica. As línguas
transmitem valores e visões de mundo que enriquecem a humanidade.
Valorizar as línguas abre uma ampla gama de futuros possíveis e
aumenta a energia necessária para alcançá-los. Na ocasião deste
Dia, eu lanço um apelo para que o potencial da educação
multilíngue seja reconhecido em todas as partes, nos sistemas
educacionais e administrativos, nas expressões culturais e na mídia,
no ciberespaço e no comércio. Quanto melhor for o nosso
entendimento sobre como valorizar as línguas, mais ferramentas
teremos para construir um futuro de dignidade para todos.
***
Mensagem
dos Três Espaços Linguísticos por ocasião do Dia Internacional da
Língua Materna
21 de fevereiro de 2017
O
tema da edição de 2017 do Dia Internacional da Língua Materna «
Um futuro sustentável através da educação multilingue » enfatiza
o vínculo indissociável entre a educação e os Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODS) que pretende abranger a comunidade
internacional que, a partir de um princípio e de uma mesma vontade,
assume compromisso de tudo fazer para "garantir uma educação
inclusiva e equitativa de qualidade e promover oportunidades de
aprendizagem ao longo da vida para todos " (Objetivo 4).
As
três organizações que representamos, a Comunidade dos Países de
Língua Portuguesa (CPLP), a Secretaria-Geral Ibero-americana (SEGIB)
e a Organização Internacional da Francofonia (OIF), estão a
trabalhar arduamente para atingir este objetivo. Acreditamos que a
educação é o motor da evolução das sociedades, é um suporte
fundamental na luta contra a discriminação, especialmente as que
ainda afetam as mulheres e meninas em muitos países, contra a
exclusão, contra a pobreza: uma educação de qualidade, acessível
a todos e para todos, promove o crescimento inclusivo e
sustentável.
É nossa convicção, e tudo aponta neste
sentido, que a educação na língua materna garante melhor aquisição
de competências básicas em leitura, na escrita e cálculos
matemáticos. Congregamos esforços na defesa ao direito a uma
educação multilingue de qualidade, baseada no ensino na língua
materna.
Juntos, Francófonos, Hispanófonos e Lusófonos,
firmemente comprometidos com o reconhecimento da diversidade dos
povos, das suas culturas, dos seus traços de civilização e da sua
história, defendemos a uma só voz a educação multilingue que
promove o pluralismo e o respeito pelo outro, pela sua identidade e o
valor do seu património linguístico. Uma educação de qualidade,
primeiramente na língua materna, é uma garantia de equidade e
inclusão que, além de facilitar o acesso aos conhecimentos
básicos, promete um futuro enriquecido com o que define a nossa
singularidade.
As línguas locais são transmissores de
tradições e marcadores de experiências, elas ditam os percursos,
são portadoras do conhecimento, expressam nuances e sensibilidades
características de um determinado território. Cada idioma participa
na construção de uma sociedade. É esse pluralismo dos povos e as
suas realidades que nos relembram e nos fazem compreender a riqueza
que o multilinguismo acrescenta à humanidade.
Encorajamos
iniciativas de valorização da língua materna, como base dos
sistemas educativos, o mais precocemente possível. Diferentes
Estados-Membros das nossas organizações têm cumprido com êxito o
desafio da valorização das línguas nacionais, enquanto língua das
primeiras aprendizagens, trabalhando em conjunto com as demais
línguas de ensino; encorajamos, igualmente e em simultâneo, a
aprendizagem de línguas estrangeiras, cientes de que o monolinguismo
representará o analfabetismo do século XXI.
Que este Dia
Internacional da Língua Materna permita conferir um novo impulso na
promoção da diversidade linguística no mundo!
Michaëlle
Jean, Secretária-Geral da Francofonia (OIF)
Rebeca Grynspan,
Secretária Geral Iberoamericana (SEGIB)
Maria do Carmo Silveira,
Secretária Executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
(CPLP)
(imagem de unescoportugal.mne.pt)